Cansado de estudar? Estude pouco, melhor e sempre!

Você fica ansioso para terminar de estudar uma matéria? Costuma ficar horas assistindo a aulas não vendo a hora de concluir a última? Fica muitas vezes com dor de cabeça e sem disposição no dia seguinte? Você está cansado de estudar? Estude pouco, melhor e sempre! …e sem cansaço.

Como? Eu tenho pouco tempo até a prova e muita matéria para estudar!

Eu preciso correr porque comecei tarde e tenho que recuperar o tempo perdido!

Em primeiro lugar, há um motivo muito simples para estudar pouco: o limite da nossa capacidade de assimilação diária; em segundo lugar, a melhor eficácia ou aproveitamento e terceiro, preservar a saúde.

Respeite o limite do seu cérebro e aprenda mais!

Como já indiquei em outros artigos, reforço que é fundamental entender que estudar é uma atividade solitária. Leia a publicação Por que é melhor estudar sozinho? Entenda a razão para entender, pois sem esta noção, você corre o risco de estudar pouco e sempre, porém da forma errada.

Respeitar o limite do cérebro é como respeitar limite de velocidade no trânsito, embora seja mais fácil, aliás muito mais fácil controlar um veículo do que nossa cabeça. E a tendência é ficar cada vez mais difícil, com a facilidade cada vez maior de acesso à informação, associado aos inúmeros estímulos publicitários ao nosso redor, desde a palma da mão com os celulares até os outdoors e plasmas nas ruas.

Nosso cérebro é lento, porém brilhante!

A noção de limite foi fruto das pesquisas feitas para compreensão do funcionamento do cérebro. Naturalmente que cada um de nós percebe quando é hora de parar, quando a dor de cabeça e cansaço aparecem. Porém temos também como forçar uma sobrevida, usando de estimulantes por exemplo, levando à exaustão muitas vezes. É justamente para repensar práticas como essas que tais pesquisas auxiliam.

Não é o ponto aqui entrar nos detalhes técnicos da chamada neurociência. O fundamental é saber de uma coisa: enquanto o computador eletrônico é rápido, porém estúpido, nosso “computador” cerebral é lento, porém brilhante. O cérebro tem poder de processamento equivalente ao de 15.000 computadores, de última geração, ligados em rede!

Apesar disso, você pode armazenar em apenas um computador, em segundos, milhares de livros de 500 páginas cada. Agora, quantas páginas você consegue gravar na sua memória em um dia, mesmo sendo um “devorador” voraz de livros? Por outro lado, o computador apenas armazena e processa como foi programado para processar, enquanto eu e você podemos pegar poucas informações e construir algo, trabalhar em cima, extrair idéias, imaginar, enfim…

É impressionante, por exemplo, a imaginação dos grandes escritores. Tolkien por exemplo, imaginou todo um mundo mitológico a partir do estudo de línguas antigas. Basta ler uma de suas obras e ficar pasmo com tamanha criatividade num só indivíduo. E exemplos de personalidades geniais não faltam, tanto na literatura como música, arquitetura… todos eles no entanto não “armazenaram em seu disco rígido” milhões de de informações em alguns segundos, senão milhares de dados ao longo de anos de estudo aplicado, pouco a pouco.

Limite médio diário

A rapidez no processamento do computador aliada à pressa por resultados pode nos iludir, na expectativa de sermos capazes de acompanhar ou adaptar-nos ao ritmo da máquina.

A média é de uma hora de estudos por dia (não de aulas, como explicado no artigo Por que é melhor estudar sozinho? Entenda a razão). Principalmente para quem não está habituado a estudar diariamente. No máximo, três horas, de acordo com a disponibilidade de tempo, como está mais detalhado em Estude no melhor horário do dia, mesmo “sem tempo”. Convido o leitor a recordar um dia quando tenha estudado aplicadamente, horas e horas a fio, como ficou no final do dia e se conseguiu repetir a dose muitas vezes.

Para quem quiser saber mais sobre as pesquisas e descobertas das neurociências, pode começar com os livros do professor Pierluigi Piazzi.

Quando habitualmente se faz, é mais eficaz!

Habitualmente fazemos tanto o necessário quanto o obrigatório. Alimentar-se e trabalhar para viver. Desnecessário dizê-lo, porém é preciso ver a mesma dinâmica para alcançar um bom rendimento nos estudos. Lembrar sempre a velha máxima: a prática leva á perfeição.

É evidente que você só conseguirá adotar um hábito, mantendo-o sempre, se tal hábito for leve o máximo possível. O hábito de ler pode ser leve e prazeroso, e serve de base (vide Estude melhor tornando-se um leitor apaixonado!). E estudar pouco por dia é para isso. Melhor ser um pouco e sempre do que muito de vez em quando (às vésperas da prova por exemplo).

Por fim e como consequência, preservar a saúde, sobretudo mental. Posso afirmar por experiência o quanto faz mal o excesso ao estudar. Antes de aprender a forma correta de estudar, mesmo o que é estudar, ficava eu horas lendo ou assistindo a diversas aulas em sequência (ou seja, a maioria das vezes nem estudando eu estava). O resultado? Aprendia pouco, cansava muito, colecionava frustrações e decepções.

Estude pouco, melhor e diariamente – exemplo prático:

Eu queria aprender mais do que meu cérebro é capaz num dia e ficava chateado ao constatar o baixo rendimento de tanto esforço.

Ao estudar para concurso, planejava estudar 3 assuntos de português por exemplo, como Crase, Acentuação e Morfologia… em poucos dias eu não conseguia manter o padrão. É muito conteúdo para assimilar num só dia.

Adotando o método de estudar pouco e sempre, passei para estudar somente um assunto de português por dia. 30 minutos no máximo para entender a teoria (seja em vídeo ou lendo), mais meia hora de exercícios. Consciente da diferença entre aluno e estudante, 30 minutos como aluno + 30 como estudante.

Isto é um exemplo de referência. Se você só dispor de 30 minutos ou mesmo 15, mas ter o compromisso todo dia de estudar nestes minutos, vale. Vale mais que se propor a estudar 2 horas por dia e acabar desanimando dias depois, senão já no dia seguinte. Acontece principalmente após um longo tempo sem estudar, você na empolgação querer se tornar da noite para o dia um estudante de carreira.

Você está cansado de estudar? Estude pouco, melhor e sempre.

Quantos acabam desistindo de estudar?

Ah, não dá para mim! Não tenho “cabeça” para isso!

E de fato não tem cabeça nestes casos, pois a está forçando demais e ela não aguenta. Chuta o balde.

Alcuíno de Iorque observava , já no século VIII, que as raízes das letras são amargas, mas os frutos são doces. Justamente pela “amargura” própria do ato de estudar (não só letras evidentemente), é preciso moderar. E Clístenes Hafner Fernandes afirmou, baseado em Alcuíno: “nada é mais doloroso para o intelecto do que aprender.” (Desconstruindo Paulo Freire – Thomas Giulliano, p. 67). Reforço aqui que descobrindo o prazer de ler, ameniza e muito a dor da tarefa.

Contudo, estude pouco, melhor e sempre. Afirmo e reafirmo: só desta forma funciona, respeitando sua natureza em seus limites, trabalhando da maneira certa e como parte de sua vida diária. Exige perseverança. Persistir no pouco, mas persistir. O resultado vem com o tempo.

Cansado de estudar? Estude pouco, melhor e sempre!
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