Como a poesia ensina, encanta e contagia quem muito a aprecia

A Poesia, durante milênios, foi como é um parque de diversões hoje. Uma fonte de entretenimento completa, variada. Era também, com é hoje, por exemplo, os portais de vídeo em streaming. E como hoje há tanta opção oferecida pela indústria da tecnologia, a poesia soa como algo velho ou de grupos seletos de pessoas, de clubes ou amantes de literatura. E como a poesia ensina, encanta e contagia quem muito a aprecia! Para o estudante, tem peso de ouro. Poesia, gostando ou não, é de grande valia.

O que a poesia ensina, que não serve só para ser um poeta?

Só para começo de conversa, através da poesia você aprende figuras de linguagem, sintaxe, semântica, literatura, história, além é claro de enriquecer muito o seu vocabulário e entonação de voz.

E diferente do que muitos possam pensar, a poesia está mais próxima de nós hoje que noutros tempos. Hoje temos diversos meios de acesso à informação, enquanto noutras épocas poucos tinham acesso a um manuscrito em papel amarelado e enrolado.

Acontece que hoje há excesso de informação, um leque de opções diante de nós, principalmente em aparelhos conectados à rede mundial. A poesia fica diluída em textos aqui, artigos ali, filmes acolá…

De fato, dentre as inúmeras opções a disposição hoje, aqueles que focam a atenção em poesia são os que se sentem atraídos em particular pela arte, ou os que desejam seguir carreira artística.

Mas e se não for o seu caso, caro leitor?

Será que você já aprecia poesia e não percebeu?

Se você acha poesia chato, procure se lembrar de sua música favorita, que você deve decorou a letra. Há músicas bem populares que trazem trechos de poesia na letra, como Monte Castelo da banda Legião Urbana:

Amor é fogo que arde sem se ver

É ferida que dói e não se sente

É um contentamento descontente…

Este é o trecho de um dos mais de 200 sonetos de Luís Vaz de Camões, um poeta português, porém aclamado como o príncipe dos poetas não só em Portugal, como também aqui no Brasil e na Espanha.

Para aqueles que já decoraram a letra do sucesso Monte Castelo, já provaram um pouco do encanto da poesia do mestre português. Pode começar por aí e conhecer as outras.

Decorar e declamar, para começar

O livro “Como ler livros” de M. Adler dá uma indicação geral para quem vai ler um livro novo: leia sem paradas, para “pegar” a ideia geral, sem se preocupar em entender tudo.

E justamente o que “trava” muitos de nós quando o assunto é poesia é a dificuldade de entender. E geralmente é difícil mesmo. A orientação de Adler é a resposta para começar a ler poesia.

Aqui indico o que eu faço para decorar e declamar: leio em voz alta pelo menos 3 vezes ao dia um soneto de Camões, por exemplo. Parece pouco, mas se você faz todos os dias, quando menos espera, percebe que já sabe de cor. Veja este outro artigo onde falo sobre estudar pouco mas todos os dias. E para orientar a forma de fazer (um modelo), indico o vídeo no Youtube do Rodrigo Gurgel, Como ler e declamar poesia.

Este exercício já trabalha a sua entonação de voz. A leitura de qualquer texto fica mais fácil com a prática deste exercício. A diferença no tom de voz de acordo com a pontuação – quando de uma vírgula ou ponto; o contexto – se é uma cena tranquila ou tensa… Pense o quanto isso soma na hora de apresentar um trabalho diante de várias pessoas, dar uma palestra, fazer uma apresentação…

Mais importante de tudo: não tenha pressa. Leva tempo para decorar um só soneto (mesmo o famoso de Camões citado na música da Legião). Será preciso mais calma ainda com o próximo passo…

Poemas épicos – “altas” aventuras, guerras, dramas, romances e muito aprendizado

Nossa geração é movida por filmes e séries, principalmente através de portais de vídeo streaming. E das séries de maior sucesso são épicas, com reis, capa, espada, disputas de poder com muitas guerras, além de humor, ação, aventura, romance… Enfim, um gênero que tem de tudo.

Estas produções são baseadas em livros ou, ao menos, em roteiros escritos exclusivamente para as filmagens. É divertido assistir a estes espetáculos, no conforto do sofá, com aperitivos e bebidas. E você pode aprender algo assim também. Porém é muito menos do que aprende os autores dos livros ou os roteiristas. Eles, via de regra, tiveram uma forte formação poética, incluindo poemas épicos.

Os poemas “base” de tudo o que vemos por aí

Um dos poemas que inspiram produções de séries e filmes desde o início, conta a história de Penélope, aquela que esperou 15 anos a volta do marido Ulisses, que foi guerrear em terras distantes (em tempos de embarcações à vela). Ele, além da guerra, enfrentou gigantes, feiticeiras, monstros no mar, as sedutoras sereias (de onde vem a expressão “canto da sereia”), sem falar no mundo dos mortos.

A Odisséia de Homero, junto com Ilíada, são as obras base do Ocidente, como fruto da civilização Grega e sua mitologia. Destaco Odisséia pois é um poema de leitura mais tranquila que Ilíada, por mais que esta seja também muito popular (você certamente já ouviu falar em Tróia, Aquiles, ou em algum filme relacionado).

Lembrando novamente a instrução de Adler, a primeira leitura destas obras deve ser corrida, sem a pretensão de entender tudo na primeira (o que seria possível somente se você entendesse mitologia grega, além da história grega, a geografia da época, além de ser capaz de der no original) . A tradução mais indicada é de Carlos Alberto Nunes.

Um épico bem próximo de nós, porém mais exigente

Como eu já frisei, o aprendizado de poesia é muito vantajoso, porém deve ser feito aos poucos. Primeiro decorar e declamar, mesmo sem entender nada, seguindo o exemple de um mestre; ler um poema épico, também mesmo entendendo menos da metade, porém “captando” a base da narrativa.

Enfim, para aprender figuras de linguagem, semântica, sintaxe, história, geografia e outras especialidades, você vai precisar de uma edição didática, com explicações detalhadas. E há uma excelente edição didática do grande poema épico Os Lusíadas, de Camões, na Livraria Concreta.

É um épico bem próximo de nós – conta a história das grandes navegações que levaram a descoberta do nosso Brasil – e aos vascaínos ou cruz maltinos podem se interessar em particular em conhecer a história do capitão Vasco da Gama. Porém é mais exigente. Por experiência própria, considero Odisséia uma leitura mais recomendada para começar.

Estímulo de um mestre

Antes de ler esta obra, assista ao vídeo de lançamento – Os Lusíadas – versão didática – e leia o artigo Um livro para ler e entender de Rafael Falcón, que está também na apresentação do livro. Isso é fundamental para servir de estímulo, pois a leitura da obra não é nada fácil, e você corre o risco de desanimar se começar a ler sem a orientação de um mestre.

No vídeo de lançamento, Rafael Falcón destaca a importância da obra, como o maior poema da língua portuguesa, de onde inúmeras palavras que hoje conhecemos foram criadas pelo poeta. Em seu artigo Rafael afirma: “é um clássico da língua portuguesa. (…) Camões é o fundamento da nossa cultura”.

“E como se aprende a ler, senão com o guiamento de um mestre?” – Falcón questiona no texto. E também, caro leitor, nossa triste realidade é de analfabetismo funcional, tanto entre estudantes (92%) quanto profissionais da educação (84%), com destaquei neste artigo.

“Os milhões de livros didáticos despejados nas escolas públicas todos os anos, à custa – é bom lembrar – de exorbitantes impostos, preferem analisar revistas em quadrinhos e obscenas letras de ‘funk’.” – denuncia o professor. Acho que só isso já serve de incentivo…

Como a poesia ensina, encanta e contagia quem muito a aprecia

É o velho conselho: “não se deve mexer em time que está ganhando”. O fato é que a formação poética foi abandonada pelos profissionais de educação, como Rafael denuncia em seu artigo. Formação que inclusive o próprio Camões recebeu, estudando o poema épico Eneida, de Virgílio (também fantástico, e também muito exigente, onde você encontra a narração do famoso episódio do Cavalo de Tróia).

Como a poesia ensina, encanta e contagia quem muito a aprecia? Através do caminho natural, como o que todos passamos desde criança: ouvir, imitar, ler e finalmente escrever. E esta última parte é que leva a um aprendizado efetivo, como explico com mais detalhe neste artigo. Escrevendo a sós, no momento do estudo solitário, a imaginação enriquecida de música e verso…

Cantando espalharei por toda parte

Se a tanto me ajudar o engenho e arte

(Os Lusíadas, Canto I, 2)

Como a poesia ensina, encanta e contagia quem muito a aprecia
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