Estude sozinho mas bem acompanhado de boa música!

Estudar não é apenas melhor sozinho, mas apenas funciona para valer sozinho. É isto que procuro deixar sempre claro em todas as publicações desta página, principalmente neste artigo. Mas posso dizer: estude sozinho mas bem acompanhado de boa música!

Já falei neste outro artigo, falando sobre manter o foco, que a música ajuda, pois mantém ocupada a região do nosso cérebro que ficaria “sem o que fazer”, enquanto estudamos.

Boa música além de ser companhia, é companheira

Se você estuda sem uma música para acompanhar você pode se distrair com mais facilidade, além de poder “padecer de solidão”.

Só recordo a condição que expliquei no artigo sobre o foco: deve ser música instrumental ou numa língua que você não entende, para não atrapalhar a região lógica do seu cérebro.

Trocando em miúdos a razão complicada dada pela neurociência, a região lógica do cérebro fica ocupada enquanto estudamos, porém a outra região, digamos a “ilógica” do cérebro fica sem o que fazer. Ilógica? Como assim? É aquela que repara em detalhes “sentimentais” ou “estéticos”.

O que quero dizer com “boa música”?

Quero dizer música de qualidade mesmo. Aqui é preciso deixar bem claro a diferença entre gostos e qualidades. Eu posso gostar de música de boa ou de má qualidade, porém, objetivamente, as músicas de qualidade são boas, e fazem bem, independente do meu ou do seu gosto.

Devo recomendar, por experiência e indicação de mestres, a música que objetivamente é a “top das tops”: a música erudita, a famosa porém pouco popular no nosso país do FFSS – Funk, Forró, Sertanejo e Samba (incluindo pagode).

Para explicar melhor a preferência pela música clássica, reproduzo abaixo a resenha que fiz do livro do maestro Dante Mantovani, na rede social de livros Skoob – Ensaios sobre a música universal:

Música é vida interior

Música é vida interior, e quem tem vida interior jamais padecerá de solidão! (Artur da Távola)

“Este é o objetivo deste livro: ampliar o horizonte de consciência dos leitores e dos ouvintes, para dar-lhes mais vida, pois quanto mais nos elevamos, mais vivemos.” (p. 347)

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Como perdi o “medo”…

Somente após passar de duas décadas de existência que comecei a ouvir música erudita. A princípio temas de filmes. O primeiro foi Star Wars de Jhon Williams, nos CDs de um game para PC baseado na famosa saga do cinema. Antes disso, música de orquestra, apesar de me atrair, o que me afastava era a ideia de ser música de velho ou de rico esnobe, intelectual etc.

Como Diogo Fontana que escreveu o Prefácio do livro, o que eu conhecia de música clássica era de filmes, desenhos animados antigos ou o som sintético de caminhões de gás e esperas telefônicas (geralmente Fur Elise ou a Nona de Beethoven). Ouvia mesmo os sucessos da moda, como Funk, Dance e o POP nos anos 90 e depois no início do século XXI.

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A trilha de Star Wars “quebrou o gelo”, pois a partir dali, descobri uma coleção de 4 CDs acumulando poeira em casa. Meus pais haviam comprado numa promoção de jornal, sem ouvir muitas vezes, pois a preferência musical deles até hoje é outra.

A partir desta coleção, não parei mais. Uma boa surpresa foi conhecer um programa muito descontraído que passava na TV Senado, do saudoso Artur da Távola“Quem tem medo da música clássica”. Ele trazia a proposta de aproximar o grande público da música de concerto, dos grandes compositores de todos os tempos. Sempre terminava o programa com esta expressão: Música é vida interior, e quem tem vida interior jamais padecerá de solidão!

Não é para músicos ou para a “elite”…

“Ensaios sobre a Música Universal” de imediato não me atraiu. Receei ser livro para profundos entendedores de música, de modo que somente quem sabe ler partitura e toca algum instrumento poderia entender. Com a suspeita retirada em contado com o autor através de rede social, procurei adquirir o livro o quanto antes possível. O trecho do livro no início deste texto reitera que se trata de obra para o público em geral.

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O que sempre vi de especial nas obras musicais eruditas foi uma beleza superior, como se inspiradas por Deus ou, pelo menos, obra daqueles que desenvolveram a sua criatividade até o limite da capacidade humana. As músicas da moda enjoavam sempre após poucas audições, no entanto as primeiras obras orquestrais que conheci, jamais enjoei. Não envelhecem.

Dante Mantovani confirmou o que eu já percebia na maioria das obras que tive oportunidade de ouvir: que houve sim um sopro do Espírito Santo que inspirou os grandes compositores, de modo que suas obras podem ser consideradas imortais e um patrimônio da humanidade.

Gosto ou pressão?

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Há uma expressão latina, de gustibus et coloribus non est dusputandumgosto e cores não se discutem.

Sem dúvida que ninguém é obrigado a gostar de coisa alguma. Não se trata disso. Bom ou mal gosto no entanto é uma realidade. Gostar de beber até cair é um gosto muito comum, mas todos sabemos que a consequência não é boa. Pelo que passei e pelo que testemunho, a dificuldade está na pressão de grupo, incluindo e começando pela família.

Tendemos a ficar parecidos com quem convivemos. Não tendo exemplo daqueles com os quais compartilhamos nossos dias, não se desenvolve muitas coisas. Pior ainda, desenvolve-se repulsa a tudo que é estranho ao grupo. Por medo de nos sentirmos isolados, conformamo-nos com os gostos e escolhas não raro restritos daqueles que nos rodeiam.

Sem solidão…

Sem dúvida ajudou muito a dar 5 estrelas pare este livro o fato de, no meu caso, ter já desenvolvido o gosto pela grande música universal. E todos aqueles que já gostam de clássicos vão aproveitar mais. De qualquer forma, creio que a leitura pode despertar o interesse também. Pode servir para perder o medo, como Artur da Távola desenvolvia no seu programa.

Enfim, vale a pena. De fato, esta Música com M maiúsculo é vida interior, com a qual ninguém padece de solidão!

Estude sozinho mas bem acompanhado de boa música!
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